Buscar
  • Profissional APSY

Tratamento do Tabagismo


O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável no mundo. Ele é uma doença epidêmica responsável por cerca de 150 mil mortes por ano no Brasil. Além disso, todos os dias 7 pessoas morrem no mundo vitimas do fumo passivo.

Na última década, temos percebido uma grande mobilização do governo, das instituições de saúde, de empresas e da sociedade pelo controle do Tabagismo. Ações relacionadas a leis antifumo e de Promoção da Saúde tem impactado diretamente na queda no número de fumantes. O Brasil reduziu significativamente esse número nos últimos 19 anos. Em 1989, o país tinha 32,4% de fumantes na população com idade a partir de 15 anos, em 2008 eram 17,2% e atualmente são cerca de 10%.

Diante deste cenário é importante falar sobre o assunto reforçando para os fumantes a importância de cessar o tabagismo, além dos tratamentos disponíveis, como funcionam, dos medicamentos e das técnicas comportamentais que auxiliam a cessação. É possível parar de fumar! Trata-se de uma escolha de valorização da vida, para quem deseja viver mais e melhor.

Atualmente existem tratamentos para quem não consegue parar sozinho. Não podemos esquecer que o tabagismo é uma doença que causa dependência química, psicológica e comportamental, e por isso é tão difícil abandonar o vício. O tratamento ajuda, assim como os medicamentos disponíveis no mercado, porém a principal força para alcançar este objetivo é o desejo de parar de fumar.

A APSY realiza oficinas e palestras de sensibilização com o objetivo de levar os participantes a refletirem sobre a possibilidade de parar de fumar e quais são os melhores caminhos. Além disso, são oferecidos grupos de Cessação do Tabagismo, cujo resultados ao longo dos últimos cinco anos, tem sido de 60 a 60% de cessação.  

Além de tratamentos oferecidos por empresas, centros de saúde, planos de saúde, dentre outros, existem livros que auxiliam o fumante com técnicas comportamentais para cessar tabagismo, além de cartilhas disponibilizadas no site do INCA (Instituto Nacional do Câncer).

Quem é considerado fumante?

É considerada fumante a pessoa que fumou mais de 100 cigarros ou cinco maços em toda a sua vida e fuma atualmente.

É importante as pessoas saberem deste dado, pois muitos que fumam uma vez por semana ou poucos cigarros acreditam que não sejam fumantes e que o cigarro não irá causar malefícios. Não existe fumante moderado. Qualquer quantidade de cigarro pode prejudicar a saúde, mas certamente os riscos estão associados a sua proporção.

Quais são os malefícios do cigarro?

O cigarro contém mais de 4.720 substancias e a maioria é nociva à saúde.

Ele é responsável por vários tipos de câncer (pulmão, boca, traqueia, esôfago, estomago, mama, colo do útero), enfisema pulmonar, infarto do miocárdio, bronquite crônica, sinusite, irritação e inflamação dos olhos e garganta, derrame cerebral e envelhecimento prematuro da pele.

O tabaco também tem relação com a impotência sexual e infertilidade masculina, pois pode prejudicar a mobilidade dos espermatozoides.

Na gestante, o cigarro pode causar problemas no desenvolvimento do bebe, aborto espontâneo, nascimento prematuro, baixo peso, morte fetal e de recém-nascidos, complicações com a placenta e hemorragias.

E há quem se engane sobre o cigarro de palha, acreditando que ele não faz mal. Eles não possuem filtro e por consequência, causam diversos malefícios à saúde. Segundo estudos, um cigarro de palha equivale a três cigarros de papel.

Fumantes passivos também sofrem os efeitos imediatos do cigarro. Irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaleia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). O tabagismo passivo aumenta em 30% o risco para câncer de pulmão e 24% o risco para infarto. Isso é muito sério!

Por que as pessoas fumam se elas sabem que faz mal para a saúde?

Aqui precisamos pensar no momento em que a maioria das pessoas começou a fumar. Se perguntarmos a um fumante de 50 anos com que idade ele começou a fumar, ele vai responder com cerca de 12 a 15 anos. Época em que o cigarro era considerado sinal de liberdade, beleza e poder. Não se sabia de todos os malefícios causados por ele.

Outros fatores também como curiosidade, fazer parte do grupo, busca de novas experiências, facilidade de acesso, relaxamento, alívio do estresse, busca do prazer, levaram as pessoas a fumar.

Ao logo dos anos com as descobertas dos malefícios do fumo ativo e passivo, com o aumento de doenças como o câncer de pulmão e enfisema pulmonar, as pessoas começaram a pensar melhor se valeria a pena começar a fumar. Mas para as que já fumavam estas descobertas não foram suficientes.  

O cigarro causa dependência química. Além disso, está associado a uma séria de atividades diárias do fumante, como beber e fumar, tomar café e fumar, fumar após o almoço, dentre outros. O cigarro também é considerado para muitas pessoas, o grande amigo e companheiro, gera sensação de prazer, alívio do estresse e da ansiedade. Estes fatores é que mantém as pessoas fumando e dificultam a cessação do tabagismo.

Entretanto, é importante ressaltar que diversos estudos mostram que fumantes são mais ansiosos que não fumantes. A ansiedade é gerada pela redução da nicotina no organismo, o que gera mal estar e ansiedade, até a pessoa fumar novamente e repor a nicotina. Fumar não é a melhor forma de lidar com a ansiedade e estresse do dia a dia. Existem outras formas saudáveis de se obter prazer, aliviar o estresse e a ansiedade.

Quais são os benefícios de se tornar um ex-fumante?

  • Ganhar mais 10 anos de vida;

  • Aumentar as chances de participar mais da vida;

  • Melhorar a saúde de quem das pessoas que convivem com o fumante, pois o fumo passivo é muito prejudicial à saúde também;

  • Não ficar ansioso em locais fechados e não deixar de participar de uma conversa para sair e fumar;

  • Ficar mais cheiroso;

  • Melhorar o paladar;

  • Acabar com o mau-hálito;

  • Melhorar o olfato;

  • Melhorar a capacidade física;

  • Melhorar a capacidade respiratória

  • Aumentar a disposição

  • Regularizar a pressão arterial diminuindo risco de infarto

  • Reduzir o risco de várias doenças;

  • Reduzir gastos com saúde;

  • Reduzir o envelhecimento da pele;

  • Economizar;

  • Ser exemplo para pessoas que ama;

  • Não precisar preocupar em parar de fumar.

Como funcionam os tratamentos para cessar o tabagismo?

Atualmente os centros de saúde, planos de saúde e empresas têm oferecido tratamentos para cessar o tabagismo. A maioria segue o modelo preconizado pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer).

Basicamente, os tratamentos são realizados através de alguns encontros em grupo com Terapia Comportamental e a utilização de medicamentos que ajudam no processo. 

Nestes encontros são trabalhamos com informações personificadas, automonitoração, controle de estímulos, manejo da fissura, intervenções focalizadas em treino de competências e de habilidades específicas, desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, dentre outros. 

Por que empresas têm investido no tratamento dos seus colaboradores fumantes?

Empresas de alto desempenho, que buscam competitividade, modernização de suas condutas e melhor adequação às leis, não deixam para segundo plano as questões relacionadas à saúde e bem-estar de seus colaboradores. Agem assim porque sabem que as pessoas são sua maior fonte de riqueza.

O tabagismo aumenta as faltas no trabalho, os atestados e afastamentos causados por doenças relacionadas ao tabagismo, reduz a produtividade do trabalhador e aumenta a procura e o gasto com serviços médicos. Pesquisas mostram que pessoas que fumam durante o trabalho, ao saírem do espaço para fumar, no final de um ano, chegam a acumular 160 horas (um mês) fumando.

Como é sua experiência com grupos de cessação do tabagismo?

Trabalho com grupos de Cessação do Tabagismo há pouco mais de 5 anos e com Promoção da Saúde há mais de 10 anos. Acredito que as pessoas podem viver mais e melhor adotando comportamentos saudáveis e continuarem a ser felizes.

Na minha experiência com grupos em empresas os participantes têm se sentido motivados a parar de fumar, para viverem mais, com saúde, bem-estar e inclusão social, afinal, já não é mais socialmente reforçador fumar.

O processo é desafiador, mas a maioria consegue cessar o tabagismo quando realmente querem parar. E o tratamento ajuda muito. Fica muito mais fácil do que sozinho. Temos alcançado taxas de 60 a 70% de cessação ao final de um grupo. Este é um valor extremante significativo.

Como a família e amigos podem ajudar?

A família que convive com o fumante geralmente pensa que fumar é falta de vergonha na cara, que as pessoas não param porque não têm força de vontade. Mas é importante ela entender como funciona a relação do fumante com o cigarro, e que se trata de uma doença crônica e de reincidência. Neste sentido não adianta ficar falando, xingando e gritando.  O apoio familiar é uma das estratégias durante o processo de parar de fumar.

Quais são suas dicas para uma pessoa que quer parar de fumar?

  • Fazer uma escolha pela vida e ter o desejo de parar de fumar;

  • Buscar informações sobre o assunto;

  • Ressaltar os motivos que levam a querer parar de fumar;

  • Buscar ajuda e fazer uma consulta médica;

  • Iniciar uso da medicação se necessário;

  • Marcar uma data para parar de fumar entre 7 a 15 dias após o início da medicação;

  • Diminuir o número de cigarros fumados por dia e espaçar o primeiro da manhã;

  • Observar os comportamentos associados ao hábito de fumar e buscar estratégias de enfrentamento;

  • Refletir sobre a função que o cigarro tem na vida e mudar a relação com o cigarro;

  • Buscar uma terapia de grupo e/ou individual se sentir necessidade.


Josele de Freitas Paula

Psicóloga com Especialização em Terapia Comportamental e Saúde Coletiva.

Sócia Proprietária da APSY – Soluções em Promoção da Saúde e Desenvolvimento de Pessoas.

Palestrante, Consultora em Programas de Promoção da Saúde, Instrutora de treinamentos, dinâmicas de grupo e grupos operativos, incluindo grupos de Cessação do Tabagismo, nutrição, gestão do estresse, gestante, dentre outros. Coautora do livro Respire Vida voltado para pessoas que desejam o melhor caminho para Cessar o Tabagismo.

SUGESTÃO DE LEITURA:

  • Cartilhas do INCA – disponível em http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/dia_mundial_sem_tabaco/site/2012/deixe_de_fumar

  • Livro Respire Vida – José Francisco Zumpano, Belo Horizonte, 2013.

9 visualizações

Rua Sena Madureira, 253 - Ouro Preto

Belo Horizonte - MG, 31340-000

CNPJ 11.508.547/0001-19

(31) 99955-4235

Logo_APSY_Oficial sem fundo.png