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O cigarro em tempos de coronavírus, a sua oportunidade de fazer uma escolha diferente!

“Quando o impossível se torna apenas um desafio,

a satisfação está no esforço... e não apenas na realização final”.

Gandhi



Estamos vivendo um momento desafiador em nossas vidas: um vírus transmitido facilmente entre as pessoas com o poder de colocar a saúde pública e a economia em colapso. Diante dessa situação, muitos de nós estamos nos sentido vulneráveis e muitas vezes ansiosos perante a dúvida sobre até quando isso irá durar.

Esse vírus afeta principalmente o nosso sistema respiratório, fator fundamental para a vida humana. Precisamos estão ficar em ESTADO DE ALERTA, pois é uma questão de sobrevivência. E esse cuidado deve ser ainda maior com pessoas que compõem os grupos de riscos, como no caso dos idosos, pessoas com doenças respiratórias e crônicas, incluindo os fumantes.

Sim, você fumante faz parte do grupo de risco, e não apenas os que possuem doenças pulmonares - obstrutiva crônica, bronquite crônica ou enfisema - mas todos os fumantes, por terem seus pulmões mais vulneráveis do que não fumantes.

Então a conversa agora é com você fumante, pois caso seja infectado, os sinais da doença podem se apresentar de forma mais severa, tornado o tratamento mais difícil, pois o estado do sistema imunológico dos infectados tem um grande impacto no sucesso do tratamento. Estudos mostraram que entre os pacientes chineses que tiveram pneumonia após a infecção pelo coronavírus, os fumantes apresentaram 14 vezes mais chances de agravamento da doença. Além do mais, o fumante pode levar as mãos sujas até a boca para fumar, aumentando o risco de contaminação. Dispositivos eletrônicos e narguilé, muito compartilhado pelos usuários, também entram nesta lista de risco.

Então se eu tivesse que te dar um conselho seria: se você é fumante pare de fumar imediatamente. Um fumante com Covid-19 é mais suscetível a uma internação ou até mesmo tratamento em UTI. As pessoas saudáveis, que não apresentam doenças crônicas e que têm um estilo de vida mais saudável, tendem a apresentar sintomas mais leves, semelhantes aos de uma gripe comum e até mesmo nem perceber que estão com a doença. Entretanto, sei que não é simples, a minha experiência me mostrou isso. Parar de fumar requer um esforço enorme e uma grande capacidade de superar desafios.

Fazendo uma reflexão sobre a nossa situação atual, não podemos negar que o isolamento social, as incertezas e essa nova forma de viver a vida (que vai passar, mas não sabemos quando) pode desencadear tristeza e estresse, além de processos de ansiedade e depressão. Isso quer dizer que pensar em parar de fumar agora, pode ser ainda mais desafiador. Mas ao mesmo tempo que uma situação pode tornar algo mais difícil, ela pode gerar motivação e ser gatilho para uma mudança. Qual é o seu caso? Será que para você existe um motivo para cessar o tabagismo? E se for pela sobrevivência, para viver mais e melhor, será que vale a pena?

CIGARRO/ANSIEDADE/ESTRESSE

Muitos fumantes usam o cigarro para reduzir o estresse, a ansiedade e relaxar. Quando o efeito da nicotina começa a passar, o organismo reage com sintomas de mal estar gerando ansiedade. Quando o fumante fuma novamente, a dose de nicotina é reposta, o que provoca sensação de relaxamento. Podemos concluir então que este relaxamento só é necessário porque a pessoa fuma e que fumantes, geralmente são mais ansiosos do que não fumantes. A ansiedade está sendo causada pela própria dependência do cigarro. Se não for possível eliminar o fator estressor, gerencie o estresse com práticas de atividade física, relaxamento, alimentação saudável, lendo livros, escutando música, com uma boa conversa, lazer. Um tempo para você!

O QUE É POSSÍVEL FAZER?


Em muitos casos o fumante se sente ambivalente quanto a parar de fumar ou não. E mesmo diante de uma situação de risco ainda se pergunta, e se eu não der conta agora? Primeiramente é importante entender que todos nós damos conta de enfrentar um desafio e querer é o que nos impulsiona. Mas até lá, pensando neste momento da pandemia é importante que esteja atento a prevenção da doença. Lembre-se que faz parte do grupo de risco e por isso, precisa ter cuidado redobrado com você e com as pessoas que apresentam problemas respiratórios e convivem com você. Além disso, sempre podemos fazer algo para melhorar e tão breve quando possível, procure ajuda para cessar o tabagismo. Até lá, tente não fumar o tempo todo. Lembre-se que isso prejudica também as pessoas que estão próximas a você, podendo aumentar o risco de problemas respiratórios ou até mesmo agravar os existentes.


Cabe aqui ressaltar que o fato de estar mais em casa pode estar prejudicando as pessoas que vivem com você. Fumantes passivos também sofrem os efeitos imediatos do cigarro. Irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaleia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). O tabagismo passivo aumenta em 30% o risco para câncer de pulmão e 24% o risco para infarto. Isso é muito sério. Fique atento e evite fumar dentro de casa, em espaços fechados e aproximar das pessoas enquanto fuma ou logo após ter fumado. Trata-se de um comportamento de respeito com o outro.


Mas, então o que é possível fazer? Não vou passar uma receita de bolo, até porque não existe, mas estudos mostram que certos comportamentos ajudam e muito. Se você está disposto a parar de fumar neste momento ou pensa nesta possibilidade, mesmo que adie os plano, saiba que tem ótimas medicações que podem ajudar. Faça contato com seu médico. Além disso, existem algumas estratégias que podem ajudar para quem vai parar ou quer diminuir. Vamos lá:

- Listar os motivos para você parar de fumar e reforçar cada um deles. Tome consciência do seu tabagismo e poderá se surpreender. Entre os motivos para fumar, ficará claro que você fuma muitas vezes por já estar condicionado, ou por não ter o que fazer;

- Colocar na balança os prós e contras, você vai perceber que parar de fumar é uma ótima opção para quem quer viver mais e com saúde;

- Buscar informações sobre o assunto. O site do inca https://www.inca.gov.br/programa-nacional-de-controle-do-tabagismo/tratamento disponibiliza informações que ajudam no processo de parar de fumar;

- Marcar uma data para parar de fumar é importante, caso contrário, sempre haverá adiamento;

- Diminuir o número de cigarros fumados por dia e espaçar o primeiro da manhã;

- Anotar as situações que levam a fumar (associações de comportamento) e modificar alguns comportamentos para quebrar esses condicionamentos, como por exemplo, trocar o café por um suco, caso seja gatilho para fumar.

- Refletir sobre a dependência psicológica e tentar mudar a relação com o cigarro, focando que parar de fumar é importante e vai trazer muitos benefícios.

- Beber água gelada, chupar bala ou chicletes sem açúcar, comer alimentos leves (frutas, barra de cereal, cítricos, suco...), fazer atividade física, realizar atividades saudáveis que aumentam a sensação de bem estar, ajuda a diminuir a fissura e a esquecer o cigarro;

- Encontrar substitutos saudáveis para lidar com a falta do cigarro como leituras, música, atividade física, filmes, brincadeira com as crianças... As dificuldades passam com o tempo. Mude a sua vida para melhor.

- Se precisar de ajuda, entre em contato com o médico.

Ao deixar de fumar você se torna um exemplo a ser seguido. Parar de fumar também pode ser contagiante e é uma alegria que só o ex-fumante conhece.

Josele de Freitas Paula


Psicóloga com Especialização em Terapia Comportamental e Saúde Coletiva.

Sócia Proprietária da APSY – Soluções em Promoção da Saúde e Desenvolvimento de Pessoas.

Palestrante, Consultora em Programas de Promoção da Saúde, Instrutora de treinamentos, dinâmicas de grupo e grupos operativos, incluindo grupos de cessação do tabagismo, nutrição, gestão do estresse, gestante, dentre outros. Coautora do livro Respire Vida voltado para pessoas que desejam o melhor caminho para Cessar o Tabagismo.

FONTE:


INSTITUTO NACIONAL DO CANCER (INCA). Programa Nacional de controle do tabagismo. Disponível em: https://www.inca.gov.br/programa-nacional-de-controle-do-tabagismo/tratamento. Acesso: março/2020.



ZUMPANO, José Francisco. Respire Vida. Belo Horizonte, 2013

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